FUGA DE MURGHAB





no vão
dos meus pensamentos erráticos
prefiro desenhar o tempo
não como o traçam os gramáticos
mas como se movem etéreos
os aéreos cabelos teus

quero aqui esboçar cogumelos
meus cogumelos temporais
psilocybes aéreos
feitos de alucinações verbais
minhas loucas paixões etílicas
na química dos vendavais

matizarei palavras em flor
para compor uma aromática
imagem do tempo

não será a representação do léxico
&
ainda que preferisse
a abstração do músico
estamparei no espaço da fala
um único holograma fonético:
a minha fotografia falada
do tempo!
com  ataúdes autófagos
bebêssarcófagos
com discos
guitarras
crônons
macunaíma
raios
risos
cimitarras

direi também que não existo
poema além
da mágica imagética

tenho horror à dialética
em meu dessiso
encaro as mandíbulas
da fera apoplética

desistir? não desisto.

com as tintas-lâminas
da incerteza
& pincéis imantados
de física quântica
hei de expressar a temporalidade
& a eterna ânsia
de vencer com palavras
o monstro destruidor de coisas

engendro assim
o cavaleiro pária
urubu-rei das araucárias
asa ruidosa que projeta a noite
sobre a vaidosa tribo imortal

para prever o firmamento?
meteorologia atemporal
com arbustos esquecidos
bicicletas roubadas aos amigos
romperei os grilhões
que ainda me impedem
os vôos acrobáticos
sobre os nimbos

corre em mim o fino prazer
dos desafios

serei contudo gentil
em recusar o que for fácil

nãonada a temer!

se é tempo de chuva
basta ouvir os cogumelos
se é tempo de estio
papagaios amarelos

sob o tempo
de friedmann
colher estrelas meninas
manhãs-maçãs
uvas-messalinas

psicotrópicos
& pégasos
de orvalho entrópico
sobre as crinas
elos
dialelos
& divinas musas
de seios belos

nãonada a temer!
(repetirei em verso tátil)

por amor a ti
empunharei o contratempo
minha afiada espada umbrátil

nãonada a temer!
nem morte
nem surpresa

toda essa aspereza
do momento
após momento
é uma noção sem sustento

de mãos dadas
minha linda
vamos nos lançar ao vento

nãonada a temer!
os relógios
não fazem tic-tac
os sinos não dobram
os demônios não tentam

nãonada a temer!
vamos meu amor atento
basta prender o ar

vamos de mãos dadas
nos lançar ao vento






Poema: Marcello Chalvinski
Arte: Tom Colbie

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