OSCAR WILDE DOS TRÓPICOS



(Prefácio ao livro “Anjo na Fauna & outros Poemas”, por Joe Rosa)


Se Marcello Silveira* tivesse vivido na Londres do final
do século XIX, com certeza teria travado uma estreita amizade
com Oscar Wilde, que afirmou ter usado todo o seu gênio na
arte de viver. Não é de hoje que ouço esse anjo anunciar que
traria à fauna suas revelações. Nunca deixei de acreditar que
um dia receberíamos as prometidas alvíssaras, mas cá pra nós,
as aguardei em confortáveis poltronas. E quero deixar bem
claro que essa minha ansiedade chinesa nada tem a ver com
uma possível descrença na capacidade de nosso dândi, pelo
contrário, o que nunca lhe faltou foi estilo e senso estético. O
difícil era prever o dia do pouso.
Mas hei-lo. Marcello voltou de suas atribuladas e
dionisíacas peregrinações noturnas e nos trouxe um apurado
relato de tudo que viu e conheceu. É muito raro encontrar o
mortal comum em sua poesia, ela está povoada por putas,
vagabundos, anjos degenerados, demônios, duendes, tudo
cheirando a sexo, álcool e uma boa pitada de jazz.
Avesso à linearidade, Marcello constrói seus versos
como quem salta abismos. A explicação dos cortes abruptos,
talvez, seja porque seus personagens não são encontrados
nos dias seguintes, são frutos do acaso e da caça persistente.
Um outro aspecto de sua poesia é a nudez de alguns poemas.
A palavra é despida de qualquer significado usual para que
exiba apenas sua textura. Ela não está ali para dizer alguma
coisa específica, mas para preencher esteticamente o branco
do papel, uma marca do longo e profícuo convívio do autor
com a publicidade, onde a palavra, antes de dizer alguma
coisa, tem que seduzir.
Enfim, o anjo percorreu o éden e as regiões abissais.
Celebrou com entidades noturnas uma longa liturgia do desejo
e voltou para nos relatar o que o sol não dissipou.
Portanto, encham suas taças com qualquer coisa que
desanuvie os sentidos e boa leitura.




*Marcello Chalvinski

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Tira-gosto

Um Poema ao Acaso

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