Rima Petrosa – 1


(Série Influências)








uma bruteza
límpida
que em nada se detém

uma crueza
lâmina
que se apaga em ninguém

uma lindeza
nítida
que a si mesma sustém

uma ingênua fereza
feita só de desdém

uma dura candura
que nem loba que nem

uma beleza absurda
sem porquê nem porém

um negar-se tão rente
que soa um shamisen

uma causa perdida
um não vem que não tem




Haroldo de Campos

Quem não Ama a Solidão, não Ama a Liberdade






Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.
Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.

A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogêneos causa um efeito incômodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza.
Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em ótima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

POEMA DE OUTUBRO









Era o meu trigésimo ano rumo ao céu
Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto
e do bosque ao lado,
E da praia empoçada de mexilhões
E sacralizada pelas garças
O aceno da manhã

Com as preces da água e o grito das gralhas e gaivotas
E o chocar-se dos barcos contra o muro emaranhado de redes
Para que de súbito
Me pusesse de pé
E descortinasse a imóvel cidade adormecida.

Meu aniversário começou com as aves marinhas
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos
E levantei-me
No chuvoso outono
E perambulei sem rumo sob o aguaceiro de todos os meus dias.
A garça e a maré alta mergulhavam quando tomei a estrada
Acima da divisa
E as portas da cidade
Ainda estavam fechadas enquanto o povo despertava.

Toda uma primavera de cotovias numa nuvem rodopiante
E os arbustos à beira da estrada transbordante de gorjeios
De melros e o sol de outubro
Estival
Sobre os ombros da colina,
Eram climas amorosos e houve doces cantores
Que chegaram de repente na manhã pela qual eu vagava e ouvia
Como se retorcia a chuva
O vento soprava frio No bosque ao longe que jazia a meus pés.

Pálida chuva sobre o porto que encolhia
E sobre o mar que umedecia a igreja do tamanho de um caracol
Com seus cornos através da névoa e do castelo
Encardido como as corujas Mas todos os jardins
Da primavera e do verão floresciam nos contos fantásticos
Para além da divisa e sob a nuvem apinhada de cotovias.
Ali podia eu maravilhar-me
Meu aniversário Ia adiante mas o tempo girava em derredor.

Ao girar me afastava do país em júbilo
E através do ar transfigurado e do céu cujo azul se matizava
Fluía novamente um prodígio do verão
Com maçãs
Pêras e groselhas encarnadas
E no girar do tempo vi tão claro quanto uma criança
Aquelas esquecidas manhãs em que o menino passeava com sua mãe Em meio às parábolas
Da luz solar
E às lendas da verde capela

E pelos campos da infância duas vezes descritos
Pois suas lágrimas me queimavam as faces e seu coração
se enternecia em mim.
Esses eram os bosques e o rio e o mar
Ali onde um menino
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.

E ali podia eu maravilhar-me com meu aniversário
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor. Mas a verdadeira
Alegria da criança há tanto tempo morta cantava
Ardendo ao sol.
Era o meu trigésimo ano
Rumo ao céu que então se imobilizara no meio-dia do verão
Embora a cidade repousasse lá embaixo coberta de folhas no sangue de outubro.

Oh, pudesse a verdade de meu coração
Ser ainda cantada
Nessa alta colina um ano depois.










Dylan Thomas

(trad: Ivan Junqueira)

Um dia, uma noite...

.





um dia esbarrei em você na saída de uma festa & foi um acaso premiado & um presente dos céus sentir o cetim achocolatado da tua pele morna & o perfume alucinógeno do teu corpo moreno então pensei quero vê-la quero falar com ela quero dizer a ela que a quero pra mim & assim os dias se passaram & numa noite ainda mais feliz você saiu comigo & eu beijei sua boca quente & macia & linda & molhada & gostei tanto que quase caí da cadeira sem que houvesse nenhuma participação daquele uísque que tomamos um a um naquele bar que nem me interessa lembrar porque prefiro usar toda memória pra recordar o brilho do seu olhar quando você disse “me leva pra tua casa” & eu acelerei o carro & te levei o mais rápido que pude pois meu corpo queria você meu coração queria você meu fogo queria você & todas as minhas células queriam você & agora que tanto tempo passou e que tanta coisa aconteceu & mudou eu fui perguntar ao meu coração o que fazer & ele me mandou traduzir escrever falar dizer esclarecer o quanto ainda quero sentir o cetim achocolatado da tua pele morna & o perfume alucinógeno do teu corpo que eu quero em minha cama em minha casa em minha vida & que quero cada vez mais beijar a sua boca quente & macia & linda & molhada para ver o teu olhar para ver você enternecida me olhando com seus olhos negros que brilham & poder falar no teu ouvido com a voz quente que te amo & que você é meu amor minha linda meu bem






Aristipo de Cirene - Versos Automáticos

A uma flor de vidro

.






de umidade & gramática
direi nuvem

cirrostratos
pela tua ausência

& pela saudade de tua beleza
direi halo de lua

direi com olhos úmidos:
cirrostratos!

cirrostratos
direi eu perdendo o jeito

afinal de que é feito
o gelo desse teu não?






M. Chalvinski - Temporal - Brancaleone editores 2005
Arte: Tom Colbie


.

HOLOGRAMA

.







Dá-me, ó amada, de olhos vítreos
que te celebre nos jardins suspensos
onde o delírio abriu as pétalas do álcool.

H. de Campos










No coração
(lá onde as lâminas trespassam)
teu cheiro ainda veste
o azul da paixão dulcíssima
& como um uísque
teus seios dourados brilham
extasiando minha memória
de bardo demoníaco & bêbado

ah, minha doce putinha!
cinematográfica
tua boca se expande
em sorrisos etéreos
pudessem meus olhos afiados
cortá-la em macias tiras
fazê-la em pedaços
& meus dentes deliciados
esqueceriam os cansaços
para saciar-me da mais fina carne

em holográfica memória
ainda posso sentir tua pele
poro a poro
tua aura em gemidos
tua alma queimando
na suprema perdição
da entrega

ah, como é doce ver
você umedecer
& nos meus braços
gritar gritinhos molhados
com a voz tão mansinha
que de tão sua
é toda minha

guarda, pois, tua mandala
& prepara a taça
para que eu a encha
com o vinho dos meus hormônios
só assim, doce bruxinha,
eu te mostrarei meu pentagrama.




M. Chalvinski - Anjo na Fauna - Brancaleone 1999


.

Canção do Rei de Espadas

.

















"Homem livre, tu sempre gostarás do mar."Chalres Baudelaire








singrar o mar
ofício de cordas
& nós


singrar o mar
exercício de músculos
& velas


singrar o mar
canção feito alma de peixe
mastros que cortam o ar


ainda que me desleixe
singrar o mar!


uma singradura
feita de vento & ventura
feita de sal
& de suor que não dura


singrar o mar
oração repleta de bússolas
amarras livres
carnaval
agridoçura


singrar o mar
velha alma austral
magnetismo hiperbóreo
flor celícola da aventura
hei de singrar o mar
minha amada
& irei
muito além da verve
com meus versos
de argonauta
com meu espírito
titânico
com meu olhar
cheio de febre


hei de singrar o mar
minha amada
irei buscar
o que me desvele
orquídeas afrodisíacas
& amapolas
do fim do mundo


hei de singrar o mar
minha amada
& subirei com meu batel
as mais altas nuvens do céu


irei buscar
os cantos dionisíacos
& as impressões
do azul profundo


hei de singrar o mar
minha amada
pois navegar é preciso
desde que o mundo
é mundo








MARCELLO CHALVINSKI - TEMPORAL - BRANCALEONE - 2005






.

O PLANO



O BEM SEMPRE VENCE

...MAS O MAL RESISTE









SOBRE A SEGURANÇA DE LER ESTE LIVRO




Se o veneno, a paixão, o estupro e a punhalada
Não puderam bordar com seus curiosos planos
A talagarça vã dos destinos humanos
É que nossa alma enfim não é bastante ousada

Charles Baudelaire




            Certo dia, ainda adolescente, reuni alguns amigos de esbórnia, com o firme propósito de massacrar o tédio. O resultado, além da avassaladora ressaca alcoólica, foi um conjunto de lembranças confusas e, talvez, esta história. Tudo começou na praia. Entre o chacoalhar de um copo e outro, filosofávamos sobre comportamento humano, com a dionisíaca euforia do uísque. A variação de conceitos e a divergência de opiniões deveriam ter criado abismos entre nós. Mas, alguém teve a idéia e decidimos iniciar o jogo: testaríamos nosso caráter analisando supostas reações individuais diante de situações de extremo risco, inspiradas em livros, filmes ou simplesmente tiradas dos noticiários. Puro exercício de imaginação.
Combinamos as regras de pontuação a partir de um raciocínio assumidamente maniqueísta e, legitimados por condições hipotéticas suficientemente nobres para nos tirar o peso da culpa, partimos para a aventura cerebral. Um assalto a banco era o ponto de partida. Logo que a brincadeira começou, percebi que haveria vencidos. Mesmo assim prossegui, movido sei por quais intenções, trocando idéias mirabolantes que, aos nossos olhos, formavam magicamente o plano do crime imperfeito que iríamos executar.
Talvez esperasse algo positivo ao final. Mas o que sobrou daquela noitada etílica serviu apenas para trazer à luz o quanto de terrível e cruel pode irromper na mente de quem se acuado no jogo da vida. No fim de tudo, sem confessar, temíamos uns aos outros e eu temia pela minha descoberta. Não poderia mais confiar em ninguém. Havia experimentado, através daquela sinistra brincadeira, um exercício de maquiavelismos que jamais imaginara. Entretanto, rompendo a sinergia dos maus fluidos, minhas rotas no oceano da existência levaram-me para longe dos outros jogadores. Em ensolarados oito anos de Brasil, vivi um navegar intenso e quase sempre extasiante. Ao atravessar o asfalto entre uma praia e outra juntava em poemas os versos divertidamente loucos que a vida me ditava. Do jogo mórbido, na memória, quase nada sobrara. Eu respirava um verão de alma e me nutria de uma felicidade docemente despreocupada.
Por obra mais do ocaso que do acaso, um dos jogadores me apareceu ostentando um sorriso largo e luminoso debaixo do olhar bandido. Aquele encontro em São Luís fazia renascer uma antiga alegria e de pronto, como nos áureos tempos das grandes farras,  sugeri que fôssemos a certo bar da Praia Grande. Éramos dois viajantes do fim do mundo, com as naus lado a lado no porto mágico do fim da tarde. Assim que os uísques chegaram, contei a ela sobre o meu Anjo na Fauna, estendendo-lhe o mais rápido que pude um exemplar matreiramente autografado. Ancorados na mesa tosca, conversamos poesia, música, viagens e – devo admitir –,  resisti em perguntar-lhe sobre o jogo não mais que o tempo de três rodadas. Quando o fiz, fui dissecado por um olhar miúdo e informado de um jeito mudo que não falaríamos sobre o assunto.
andava às voltas com o quinto uísque quando, sem qualquer resistência, me deixei conduzir pelos escuros e tortos caminhos de uma narrativa assombrosa. As explanações da moçanão obstante o largo consumo de bebida –, eram feitas de forma absolutamente comedida e minhas reações, controladas por cuidadosa embriaguez. O quadro, contudo, fazia-se complexo, com imagens sobrepostas e situações recorrentes.
Não tardei a ser fisgado pela essência diabolicamente literária de sua históriaainda que me inquietasse uma terrível relação com o jogo da juventude. Decidido a escrever sob inspiração de suas narrativas, engendrei outros encontros para ouvi-la e durante dias me entreguei às suas histórias. Sem esperança nem temor, juntei em anotações tudo que retive, não me importando padrões de comportamento, princípios éticos ou morais ou seja o que for. Tudo é para ser dito. Realidade e imaginação. Mentira e verdade. Insanidade e razão. É assim que escrevo. É assim que quero escrever.
Instigado pelo delírio, O Plano bebeu abundantemente no copo da vida, antes de tombar embriagado e manchar a brancura virgem das páginas que advêm. E, tendo eu acrescentado às impressões resultantes de minhas estranhas audições, as pinceladas mais cintilantes e cruéis da fantasia, sinto-me no dever de precaver o leitor quanto aos possíveis abalos. A maldade está por toda parte, descaradamente explícita ou maliciosamente oculta. Tudo quanto é humano conspira. E, se não o é, também. As trilhas em que os episódios se sucedem são escorregadias e obscuras, embora permitam viajar a partir de qualquer ponto, em qualquer direção, dispensando a linearidade. Quase sempre é noite e quase sempre chove, mas, mesmo sob o sol, cada história leva a uma armadilha e cada armadilha, a uma nova história.
Logo à frente, revestida de enigmáticos ímãs, está a trama que gira. Nem tudo que se diz é verdade. Nem toda verdade faz sentido. Uma virgem sodomita e um suíno gordo apaixonado. Uma cantora de blues e um terrorista desmemoriado. Potestades em conflito, loucos, bandidos, aflitos... Para juntar as peças e saber no que vai dar, é preciso, antes, superar as flechas geladas do medo. Por trás desta página, rangem os portais dos reis do inferno e marcham contra nós os seus estandartes. Vencidos os embargos, lasciate ogni speranza voi ch’entrate! (1)







O PLANO - Marcello Chalvinski - Brancaleone Ed.- 2007 (ADVERTÊNCIA AO LEITOR)






(1) Vós que entrais abandonai toda esperança.
Inscrição à porta do Inferno, na Divina Comédia,
de Dante. 



.

Eu faço versos como quem chora





Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.






Manuel Bandeira




.

Cantata & Fuga






um giro de saias
na órbita do corpo


o perfume que salta
a razão que desmaia


misandria sem perdão


uma caótica vazão
sem porquê
nem senão


já era nuvem
noite alta


pela manhã
ilusão


ficou no olho árido
o desejo abduzido


ficou no copo seco
a sensação
de não ter bebido






.


Marcello Chalvinski - Temporal - Brancaleone - 2005



.

PLENILÚNIO





indiferente ao sabbath


o morto a meu lado

engendrava uma estranha

moeda

sob a língua


pus

de lado seu sorriso

& ele me presenteou

com balas

houve silêncio.

depois risos.

eram balas de festim







Marcello Chalvinski - ANJO NA FAUNA - Brancaleone - 1999


.

Receita para fazer um herói



Tome-se um homem,


Feito de nada, como nós,

E em tamanho natural.

Embeba-se-lhe a carne,

Lentamente,

Duma certeza aguda, irracional,

Intensa como o ódio ou como a fome.

Depois, perto do fim,

Agite-se um pendão

E toque-se um clarim.


Serve-se morto.








R. Ferreira



.

GUARDAR






Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la,
Isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
Isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
Isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
Por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarde um poema:
Por isso o lance do poema:
Para guardar-se o que se quer guardar.




Antonio Cícero




.

TRÊS VEZES LÚCIA SANTOS


......



solidão
vontade de um abraço
vindo em minha direção



...



traduza
meu amor arcaico
fale-me em aramaico



...



a cabeça de um homem
numa bandeja
toda mulher deseja



...







Lúcia Santos - Uma Gueixa para Bashô


.
.

O LAMENTO DO TITANIC-BOULOGNE











(A Canção da harpa e do Arpão)






há o amor vivido
e há o amor sonhado
o primeiro é lívido
o outro: envergonhado


no amor vivido
a carne se gasta.
no amor sonhado
a alma se pasta.


o amor vivido
põe cartas à mesa.
o amor sonhado
sonha a sobremesa.


o amor vivido
fere-o o arpão.
a amor sonhado:
harpa no salão.


no amor vivido
a paixão consome.
no amor sonhado
se nutre a fome.


sonhar o amor vivido.
viver o amor sonhado.
eis o acontecido
nas praias do imaginado.










Luís Augusto Cassas - TITANIC-BOULOGNE - A CANÇÃO DE ANA E ANTÔNIO - IMAGO


.

PAIXÃO CONCRETA








Apaixonei-me por uma pedra.



Pedra de sal.
Pedra de gelo.
Pedra de mármore...
Perdidamente apaixonado,
nessa obsessão mineral,
tudo se evaporou ao meu redor.
No meu vazio,
apenas eu e a pedra:
ora de gelo,
ora de sal,
pedra-punhal
nessa paixão unilateral.








Alex Brasil





.

Translate

Tira-gosto

Um Poema ao Acaso

Porre de poesia

abismo Acaso aço Advertência aeroporto Alma alphonsus de guimaraens. poesia Amor Animal Anjo anjos anoitecer Apolo Apóstolo arcanjos Asas Assassinos aurélio ausência azul babélico baile Balas bananas Bar Barulho baudelaire beatnik Bela Beleza Bélica Bem Bukowski cabeça Caldeus cama Campo canções caos Carne ccinamomo cérebro cereja céu Chalvinski chamas chifre chuva cidade Cisne cocaína coisa Conto controle Coração Corte cristão culpa Desejo Destino devaneio Diamante diligência Dilúvio Dor drogas DYLAN THOMAS em qualquer lugar... Energia enforcado escuridão esmeralda espaço espírito estalagem estrelas Estupro étude explicação FANTASMAS Feminil feras ferida fernando pessoa Fim flor flores Floresta fogo futuro Gelo gênio geração ginsberg Gregório de Matos guerra hai cai Haroldo de Campos Herói horror humo ida Iluminuras Infância inflexão ingles Introspecção jack daniel's JARDIM jazz JOGO Jorge Luis Borges lábios lágrima lama Lamento Canção lâmina lápides Leda and the swan Leminski Liberdade Linda litanias livro Lixo Longe LOUCO loucura Lua cheia LUZ Mal manifesto Manoel de Barros Manuel de Barros MÃOS Mar mariposa mel menina mesma coisa Misandria Morrer Morte mulher Murilo Mendes música nada Não Noite Nudez Oceano Octavio Paz olhar olhos Ossos ótica Paixão peixeira Pensamento Piano piedade plano planta poder POEMA Poesia poesia brasileira Poeta Ponte prazer Primavera príncipe Prosa punhal Quimera Rainha Rapariga Rilke Rimbaud riso Rua Sabbath Safo Saias Sangue Saudade seios semideuses cheios de graça sentido Sentimento sepultura ser Sexo Silêncio sizígia sol Solidão sonho SORTE sucesso suicídio Suíno tarot Tempestade temporal topázios Torpeza Torre tragédias de malandros Tristeza Trovão Uísque Ur Vasko Popa vermelho Verso Vício Vinicius de Moraes Viver Walt Whitman Zeppelin Zeus

Frequentadores

Beberam aqui