HOLOGRAMA

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Dá-me, ó amada, de olhos vítreos
que te celebre nos jardins suspensos
onde o delírio abriu as pétalas do álcool.

H. de Campos










No coração
(lá onde as lâminas trespassam)
teu cheiro ainda veste
o azul da paixão dulcíssima
& como um uísque
teus seios dourados brilham
extasiando minha memória
de bardo demoníaco & bêbado

ah, minha doce putinha!
cinematográfica
tua boca se expande
em sorrisos etéreos
pudessem meus olhos afiados
cortá-la em macias tiras
fazê-la em pedaços
& meus dentes deliciados
esqueceriam os cansaços
para saciar-me da mais fina carne

em holográfica memória
ainda posso sentir tua pele
poro a poro
tua aura em gemidos
tua alma queimando
na suprema perdição
da entrega

ah, como é doce ver
você umedecer
& nos meus braços
gritar gritinhos molhados
com a voz tão mansinha
que de tão sua
é toda minha

guarda, pois, tua mandala
& prepara a taça
para que eu a encha
com o vinho dos meus hormônios
só assim, doce bruxinha,
eu te mostrarei meu pentagrama.




M. Chalvinski - Anjo na Fauna - Brancaleone 1999


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Tira-gosto

Um Poema ao Acaso

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