A BELEZA



Eu sou bela, ó mortais! Como um sonho de pedra,
E meu seio, onde todos vêm buscar a dor,
É feito para ao poeta inspirar esse amor
Mudo e eterno que no ermo da matéria medra.

No azul, qual uma esfinge, eu reino indecifrada;
Conjugo o alvor do cisne a um coração de neve;
Odeio o movimento e a linha que o descreve,
E nunca choro nem jamais sorrio a nada.

Os poetas, diante de meus gestos de eloquência,
Aos das estátuas mais altivas semelhantes,
Terminarão seus dias sob o pó da ciência;

Pois que disponho, para tais dóceis amantes,
De um puro espelho que idealiza a realidade:
O olhar, meu largo olhar de eterna claridade!


Charles Baudelaire

AOS VÍCIOS



Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos.
E bem que os descantei bastantemente,
Canto segunda vez na mesma lira
O mesmo assunto em plectro diferente.
Já sinto que me inflama e que me inspira
Talia, que anjo é da minha guarda
Dês que Apolo mandou que me assistira.
Arda Baiona e todo o mundo arda
Que a quem de profissão falta à verdade
Nunca a dominga das verdades tarda.
Nenhum tempo excetua a cristandade
Ao pobre pegureiro do Parnaso
Para falar em sua liberdade.
A narração há de igualar ao caso
E se talvez acaso o não iguala
Não tenho por poeta o que é Pegaso.
De que pode servir calar quem cala?
Nunca se há de falar o que se sente.




Gregório de Matos

Seleção de Obras Poéticas, Gregório de Matos
Texto proveniente de: Projecto Vercial - Literatura Portuguesa http://www.ipn.pt/opsis/litera/


SUSANA BOMBAL









No alto da tarde, altiva e elogiada
Cruza o jardim casto & está na exata
Luz do instante irreversível e puro
Que nos dá este jardim e a alta imagem
Silenciosa. Eu a vejo aqui & agora
Mas também a vejo no antigo
Crepúsculo de Ur dos Caldeus
ou descendo as escadas lentas
de um templo, que é a poeira inumerável
do planeta e que foi pedra e soberba,
ou a decifrar o mágico alfabeto
das estrelas de outras latitudes
ou a cheirar uma rosa na Inglaterra.
Está onde está a música no leve
azul, no hexâmetro grego,
na solidão nossa que procuram,
no espelho d’água da fonte
no mármore do tempo, numa espada,
na serenidade de um terraço
que divisa ocasos e jardins.
E por trás dos mitos e máscaras,
a alma que está sozinha.








Jorge Luis Borges
[Trad.: Marcello Chalvinski]





Susana Bombal


Alta en la tarde, altiva y alabada,
cruza el casto jardín y está en la exacta
luz del instante irreversible y puro
que nos da este jardín y la alta imagen
silenciosa. La veo aquí y ahora,
pero también la veo en un antiguo
crepúsculo de Ur de los Caldeos
o descendiendo por las lentas gradas
de un templo, que es innumerable polvo
del planeta y que fue piedra y soberbia,
o descifrando el mágico alfabeto
de las estrellas de otras latitudes
o aspirando una rosa en Inglaterra.
Está donde haya música, en el leve
azul, en el hexámetro del griego,
en nuestras soledades que la buscan,
en el espejo de agua de la fuente,
en el mármol de tiempo, en una espada,
en la serenidad de una terraza
que divisa ponientes y jardines.
Y detrás de los mitos y las máscaras,
el alma, que está sola.



Jorge Luis Borges


A RESPOSTA DA TERRA





A terra ergueu sua cabeça
Da escuridão medonha e triste
Sua luz se dispersa,
Terror de pedra
E suas tranças são cobertas
por um desespero cinzento


"Presa junto à úmida costa,
Ciúmes estrelados guardam meu covil:
Fria e velha,
Chorando,
Escuto o Pai dos Antigos H
omens .


“Ó Egoísta Pai de Homens!

Ó temor cruel, ciumento e egoísta!

Pode o gozo,
Acorrentado na noite,
Dar à luz as virgens da juventude e da aurora?



“A primavera esconde sua alegria
Quando os casulos e as flores crescem?
O semeador
Semeia pela noite,
Ou o lavrador lavra na escuridão?



“Rompe esta corrente fatal
Que rodeia de gelo meus ossos
Egoísta! Inútil!
Eterna praga!
Que ao Amor Livre acorrenta com limites."





William Blake

[Trad. M.Chalvinski]

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Um Poema ao Acaso

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