SUSANA BOMBAL









No alto da tarde, altiva e elogiada
Cruza o jardim casto & está na exata
Luz do instante irreversível e puro
Que nos dá este jardim e a alta imagem
Silenciosa. Eu a vejo aqui & agora
Mas também a vejo no antigo
Crepúsculo de Ur dos Caldeus
ou descendo as escadas lentas
de um templo, que é a poeira inumerável
do planeta e que foi pedra e soberba,
ou a decifrar o mágico alfabeto
das estrelas de outras latitudes
ou a cheirar uma rosa na Inglaterra.
Está onde está a música no leve
azul, no hexâmetro grego,
na solidão nossa que procuram,
no espelho d’água da fonte
no mármore do tempo, numa espada,
na serenidade de um terraço
que divisa ocasos e jardins.
E por trás dos mitos e máscaras,
a alma que está sozinha.








Jorge Luis Borges
[Trad.: Marcello Chalvinski]





Susana Bombal


Alta en la tarde, altiva y alabada,
cruza el casto jardín y está en la exacta
luz del instante irreversible y puro
que nos da este jardín y la alta imagen
silenciosa. La veo aquí y ahora,
pero también la veo en un antiguo
crepúsculo de Ur de los Caldeos
o descendiendo por las lentas gradas
de un templo, que es innumerable polvo
del planeta y que fue piedra y soberbia,
o descifrando el mágico alfabeto
de las estrellas de otras latitudes
o aspirando una rosa en Inglaterra.
Está donde haya música, en el leve
azul, en el hexámetro del griego,
en nuestras soledades que la buscan,
en el espejo de agua de la fuente,
en el mármol de tiempo, en una espada,
en la serenidad de una terraza
que divisa ponientes y jardines.
Y detrás de los mitos y las máscaras,
el alma, que está sola.



Jorge Luis Borges


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