COISA REAL







Porque sei que a medida
De um homem é seu poema,
Que o poema é do homem
Seu tamanho real,

Minha função é a de um cego
Debaixo de uma ponte,
A subir pela mente
Sem as luzes do sol.

Servos da eterna noite,
Vendo apenas o tempo
Entre beijos do efêmero
E os abraços do vento,

Meus olhos, voltados
Para dentro, são sólidos
Como os de dois pregos
Por uma tábua entrando.

Para compreender
A insignificância
Do mundo circundante,
As flores, quando as colho,

São de um chão inexistente
Nas corolas do azul.
Como palavra andando
Num coração humano

Que jamais morrerá,
Só no poema eu existo
Para a ressurreição
Até das minhas vísceras.



Nauro Machado

(Percurso de Sombras  – Contracapa – 2013)




A PANTERA



DER PANTHER
Rainer Maria Rilke

Im Jardin des Plantes, Paris

Sein Blick ist vom Vorübergehn der Stäbe
so müd geworden,dass er nichts mehr hält.
Ihm ist, als ob es tausend Stäbe gäbe
und hinter tausend Stäben keine Welt.

Der weiche Gang geschmeidig starker Schritte,
der sich im allerkleinsten Kreise dreht,
ist wie ein Tanz von Kraft um eine Mitte,
in der betäubt ein grosser Wille steht.

Nur manchmal schiebt der Vorhang der Pupille
sich lautlos auf -. Dann geht ein Bild hinein,
geht durch der Glieder angespannte Stille -
und hört im Herzen auf zu sein.
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A PANTERA
Rainer Maria Rilke
(Trad. Augusto de Campos)



(No Jardin des Plantes, Paris)

De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
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A PANTERA
Rainer Maria Rilke
(Trad. Geir Campos)


(No Jardin des Plantes, Paris)

Varando a grade, a nada mais se agarra
o olhar tomado de um torpor profundo:
para ela é como se houvesse mil barras
e, atrás dessas mil barras, nenhum mundo.

Seu firme andar de passos gráceis, dentro
dum círculo talvez muito apertado,
é uma dança de força em cujo centro
ergue-se um grande anseio atordoado.

De raro em raro, só, o véu das pupilas
abre-se sem ruído — e deixa entrar
a imagem, que sobe, pelas tranqüilas
patas, ao coração, para aí ficar.

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A PANTERA
Rainer Maria Rilke
(Trad. José Paulo Paes)


(No Jardin des Plantes, Paris)

Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existisse uma infinidade
de grades e mundo nenhum mais além.

O seu passo elástico e macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.

Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio. – Uma imagem então
penetra, a calma dos membros tensos trilha –
e se apaga quando chega ao coração.





Artwork Tom Colbie

O PAI, A MÃE, O FILHO, A FILHA





O pai se pendeu

em lugar da pêndula.

A mãe está muda.

A filha está muda.

O filho está mudo.

Todos os três seguem

O tiquetaque do pai.

A mãe é de ar.

O pai voa através da mãe.

O filho é um dos corvos

da praça de São Marcos de Veneza.

A filha é um pombo-correio.

A filha é doce.

O pai come a filha.

A mãe corta o pai em dois

come-lhe uma metade

e oferece a outra ao filho.

O filho é uma vírgula.

A filha não tem cauda nem cabeça.

a mãe é um ovo galado.

Da boca do pai

pendem caudas de palavras.

A filha é uma pá quebrada.

O pai é pois forçado

a lavrar a terra

com sua longa língua.

A mãe segue o exemplo de Cristóvão Colombo.

Anda sobre suas mãos nuas

e agarra com seus pés nus

um ovo de ar após o outro.

A filha remenda o desgaste de um eco.

A mãe é um céu cinza

em que se arrasta embaixo bem embaixo

um pai de papel mata-borrão

coberto de manchas de tinta.

O filho é uma nuvem.

Quando chora chove.

A filha é uma lágrima imberbe.








POEMA: HANS ARP
ARTE: TOM COLBIE

TREPADEIRA



Filha mais doce
Do verde sol subterrâneo
Fugiria
Da barba branca da parede
Se ergueria em plena praça
Vórtice envolto em sua beleza
Com sua dança-de-serpente
Fascinaria tempestades
Mas o ar de amplas espáduas
Não lhe estende as mãos





VASKO POPA

[Trad: Aleksandar Jovanovic]

SUSTENTÁVEL







capturo sonhos

para salvá-los da extinção

antes de devolvê-los à natureza

dou a eles poemas para comer

ervas para fumar

& alguma realização














Marcello Chalvinski 

VAZIO QUE SE DOBRA




So little do we know what we’re about in
This world, I doubt if doubt itself be doubting.

Don Juan  - Lord Byron






as paredes são impostoras
as portas são imposturas
é falso o piso
é embusteira a cobertura
mas
o destino é férreo
& tem fráguas irônicas
são elas as responsáveis
pela força utilitária das chaves
& pela resistência ambígua
das fechaduras






Marcello Chalvinski - Don Juan & o Jardim das Maravilhas - 2013

CONTRAFUGA





A presença de um pensamento é como a presença de quem se ama.

                                        Schopenhaur 




de mim tudo foge
ah, malditas coisas fugidias!
foge o chão
foge o amor
foge a razão
foge a noite
foge o dia

passei um tempo escrevendo
& outro só imaginando
se você leria

pensei que fosse criação
era demiurgia

meu pensamento fugiu
para um livro de mitologia








M. Chalvinski - D. Juan & o Jardim das Maravilhas - 2013

MUNDANO




1
há no cintel
deste estranho engenho
um liame cintilante
que corto à faca afoito
à noite & diante
de um espelho cru
do qual desdenho

adoro correr riscos
& nisso
muito me empenho

cavalgo mundano
meu pégaso-verso
como um lorde negro
em seu dragão avesso
como eu mesmo
fauno-pássaro
como eu-outro
cavalo-profano

2
ah, que glamour vagabundo me enlaça!

são doces as fêmeas
& delicados seus ardis
o álcool dourado grassa
& o fumo prateado desce
às profundezas febris
há rendas diáfanas
saias-metáforas
sutis lingeries

um gemido de unhas vermelhas
de um salto me agarra
& logo atraído pela rara
indecência dessa lascívia sonora
cravo meus olhos de fera
na agridoçura desse olhar que demora

3
agora
minha anamorfose mundana
em ângulo obtuso me revela
& com suas garras de pantera
a cruel solidão me apavora

& cíclico & inquietante
o liame vil & cintilante
surge sem nexo
tornado infame reflexo
no vívido espelho
desse sonho convexo
que agora mesmo redesenho

adoro correr riscos
& nisso
muito me empenho








Marcello Chalvinski - Don Juan & o Jardim das Maravilhas - 2013

MEMORY LOST



Desde el trigésimo piso contempla la ciudad por la noche. Borra archivos, memorias.
Algunas retorcidas quedarán en el pensamiento como el edificio de ventanas góticas.
Prisión. Cine Voltaire.

En el alféizar una orquídea. Aislada contra el crepúsculo violeta. Un contorno borrado de
edificios.

Un día de sol. Parejas pasean en el parque. Caminan entre gansos. Niños juegan
en el estanque de arena.

Hipocampo, extraña imagen. Esquinas, caminos que se bifurcan. Como si nunca hubiera
caminado por allí.
Nado em alto-mar, maremoto. Flutuar sobre naufrágios, resíduos. Submersa no que não era – afogamento. Mergulho, viagem marítima. Escapismo, estrelas-do-mar. Sentimentos líquidos.

Ebulição. Dissolução de formas. Novas, transitórias, fluidas. Tensão, polaridade.

Repetição, aprendizado: trajeto contra a correnteza até a margem.

Memória da água. Desenhos na areia, espuma.

Nado en alta ola, maremoto. Fluctuar sobre naufragios, sobre residuos. Sumergida en lo que
no era - ahogo. buceo, viaje. Escapismo de estrellas de mar.
Líquidas sensaciones.

Evaporación. Disolución de formas. Nuevos, transitorios, fluidos. Tensión, polaridad.

Repetición, aprendizaje: trayecto contra la corriente hasta la orilla.

Memoria del agua. Dibujos en la arena, espuma.





VIRNA TEIXEIRA

IDÉIAS ÍNTIMAS






La chaise où je m'assieds, la natte où je me couche,
La table où je t'écris, .............................................
Mes gros souliers ferrés, mon bâton, mon chapeau,
Mes livres pêle-mêle entassés sur leur planche.
.............................................................................
De cet espace étroit sont tout l'ameublement.

Jocelyn
Lamartine


I  
Ossian o bardo é triste como a sombra
Que seus cantos povoa. O Lamartine
É monótono e belo como a noite,
Como a lua no mar e o som das ondas...
Mas pranteia uma eterna monodia,
Tem na lira do gênio uma só corda,
Fibra de amor e Deus que um sopro agita:
Se desmaia de amor a Deus se volta,
Se pranteia por Deus de amor suspira.
Basta de Shakespeare. Vem tu agora,
Fantástico alemão, poeta ardente
Que ilumina o clarão das gotas pálidas
Do nobre Johannisberg! Nos teus romances
Meu coração deleita-se... Contudo
Parece-me que vou perdendo o gosto,
Vou ficando blasé, passeio os dias 
Pelo meu corredor, sem companheiro,
Sem ler, nem poetar. Vivo fumando.
Minha casa não tem menores névoas
Que as deste céu d'inverno... Solitário
Passo as noites aqui e os dias longos;
Dei-me agora ao charuto em corpo e alma;
Debalde ali de um canto um beijo implora,
Como a beleza que o Sultão despreza,
Meu cachimbo alemão abandonado!
Não passeio a cavalo e não namoro;
Odeio o lansquenet. . . Palavra d'honra!
Se assim me continuam por dois meses
Os diabos azuis nos frouxos membros,
Dou na Praia Vermelha ou no Parnaso.

II  
Enchi o meu salão de mil figuras.
Aqui voa um cavalo no galope,
Um roxo dominó as costas volta
A um cavaleiro de alemães bigodes,
Um preto beberrão sobre uma pipa.
Aos grossos beiços a garrafa aperta... 
Ao longo das paredes se derramam 
Extintas inscrições de versos mortos,
E mortos ao nascer. . . Ali na alcova
Em águas negras se levanta a ilha
Romântica, sombria à flor das ondas
De um rio que se perde na floresta...
Um sonho de mancebo e de poeta,
El-Dorado de amor que a mente cria
Como um Éden de noites deleitosas...
Era ali que eu podia no silêncio
Junto de um anjo. . . Além o romantismo!
Borra adiante folgaz caricatura
Com tinta de escrever e pó vermelho
A gorda face, o volumoso abdômen,
E a grossa penca do nariz purpúreo
Do alegre vendilhão entre botelhas
Metido num tonel... Na minha cômoda
Meio encetado o copo inda verbera
As águas d'oiro do Cognac fogoso.
Negreja ao pé narcótica botelha
Que da essência de flores de laranja
Guarda o licor que nectariza os nervos.
Ali mistura-se o charuto Havano
Ao mesquinho cigarro e ao meu cachimbo.
A mesa escura cambaleia ao peso
Do titânio Digesto, e ao lado dele
Childe-Harold entreaberto ou Lamartine
Mostra que o romantismo se descuida 
E que a poesia sobrenada sempre
Ao pesadelo clássico do estudo.  

III  
Reina a desordem pela sala antiga,
Desce a teia de aranha as bambinelas
A estante pulvurenta. A roupa, os livros
Sobre as cadeiras poucas se confundem.
Marca a folha do Fausto um colarinho
E Alfredo de Musset encobre às vezes
De Guerreiro ou Valasco um texto obscuro.
Como outr’ora do mundo os elementos
Pela treva jogando cambalhotas,
Meu quarto, mundo em caos, espera um Fiat! 

IV  
Na minha sala três retratos pendem.
Ali Victor Hugo. Na larga fronte
Erguidos luzem os cabelos loiros
Como c'roa soberba. Homem sublime,
O poeta de Deus e amores puros
Que sonhou Triboulet, Marion Delorme
E Esmeralda a Cigana... e diz a crônica
Que foi aos tribunais parar um dia
Por amar as mulheres dos amigos
E adúlteros fazer romances vivos.  

V  
Aquele é Lamennais — o bardo santo,
Cabeça de profeta, ungido crente,
Alma de fogo na mundana argila
Que as harpas de Sion vibrou na sombra,
Pela noite do século chamando
A Deus e à liberdade as loucas turbas.
Por ele a George Sand morreu de amores,
E dizem que. . . Defronte, aquele moço
Pálido, pensativo, a fronte erguida,
Olhar de Bonaparte em face Austríaca,
Foi do homem secular as esperanças.
No berço imperial um céu de Agosto
Nos cantos de triunfo despertou-o...
As águias de Wagram e de Marengo
Abriam flamejando as longas asas
Impregnadas do fumo dos combates,
Na púrpura dos Césares, guardando-o.
E o gênio do futuro parecia
Predestiná-lo à glória. A história dele?... 
Resta um crânio nas urnas do estrangeiro...
Um loureiro sem flores nem sementes... 
E um passado de lágrimas... A terra
Tremeu ao sepultar-se o Rei de Roma.
Pode o mundo chorar sua agonia
E os louros de seu pai na fronte dele
Infecundos depor... Estrela morta,
Só pode o menestrel sagrar-te prantos!  

VI  
Junto a meu leito, com as mãos unidas,
Olhos fitos no céu, cabelos soltos,
Pálida sombra de mulher formosa
Entre nuvens azuis pranteia orando.
É um retrato talvez. Naquele seio
Porventura sonhei doiradas noites:
Talvez sonhando desatei sorrindo
Alguma vez nos ombros perfumados
Esses cabelos negros, e em delíquio
Nos lábios dela suspirei tremendo.
Foi-se minha visão. E resta agora
Aquela vaga sombra na parede
— Fantasma de carvão e pó cerúleo,
Tão vaga, tão extinta e fumarenta
Como de um sonho o recordar incerto.

VII  
Em frente do meu leito, em negro quadro
A minha amante dorme.É uma estampa
De bela adormecida. A rósea face
Parece em visos de um amor lascivo
De fogos vagabundos acender-se...
E com a nívea mão recata o seio...
Oh! quantas vezes, ideal mimoso,
Não encheste minh'alma de ventura,
Quando louco, sedento e arquejante,
Meus tristes lábios imprimi ardentes
No poento vidro que te guarda o sono! 

VIII  
O pobre leito meu desfeito ainda
A febre aponta da noturna insônia.
Aqui lânguido a noite debati-me
Em vãos delírios anelando um beijo...
E a donzela ideal nos róseos lábios,
No doce berço do moreno seio
Minha vida embalou estremecendo...
Foram sonhos contudo. A minha vida
Se esgota em ilusões. E quando a fada
Que diviniza meu pensar ardente
Um instante em seus braços me descansa 
E roça a medo em meus ardentes lábios
Um beijo que de amor me turva os olhos,
Me ateia o sangue, me enlanguesce a fronte,
Um espírito negro me desperta,
O encanto do meu sonho se evapora
E das nuvens de nácar da ventura
Rolo tremendo à solidão da vida!  

IX  
Oh! ter vinte anos sem gozar de leve
A ventura de uma alma de donzela!
E sem na vida ter sentido nunca
Na suave atração de um róseo corpo
Meus olhos turvos se fechar de gozo!
Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas
Passam tantas visões sobre meu peito!
Palor de febre meu semblante cobre,
Bate meu coração com tanto fogo!
Um doce nome os lábios meus suspiram,
Um nome de mulher... e vejo lânguida
No véu suave de amorosas sombras
Seminua, abatida, a mão no seio,
Perfumada visão romper a nuvem,
Sentar-se junto a mim, nas minhas pálpebras
O alento fresco e leve como a vida
Passar delicioso. . . Que delírios!
Acordo palpitante... inda a procuro;
Embalde a chamo, embalde as minhas lágrimas
Banham meus olhos, e suspiro e gemo...
Imploro uma ilusão. . . tudo é silêncio!
Só o leito deserto, a sala muda!
Amorosa visão, mulher dos sonhos,
Eu sou tão infeliz, eu sofro tanto!
Nunca virás iluminar meu peito
Com um raio de luz desses teus olhos?  

X  
Meu pobre leito! eu amo-te contudo!  
Aqui levei sonhando noites belas,
As longas horas olvidei libando
Ardentes gotas de licor doirado,
Esqueci-as no fumo, na leitura
Das páginas lascivas do romance...  
Meu leito juvenil, da minha vida
És a página d'oiro. Em teu asilo
Eu sonho-me poeta, e sou ditoso,
E a mente errante devaneia em mundos
Que esmalta a fantasia! Oh! quantas vezes 
Do levante no sol entre odaliscas
Momentos não passei que valem vidas!
Quanta música ouvi que me encantava!
Quantas virgens amei! que Margaridas,
Que Elviras saudosas e Clarissas
Mais trêmulo que Fausto eu não beijava,
Mais feliz que Don Juan e Lovelace
Não apertei ao peito desmaiando!
Ó meus sonhos de amor e mocidade,
Por que ser tão formosos, se devíeis
Me abandonar tão cedo... e eu acordava
Arquejando a beijar meu travesseiro?  

XI  
Junto do leito meus poetas dormem
— O Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron —
Na mesa confundidos. Junto deles
Meu velho candeeiro se espreguiça
E parece pedir a formatura.
Ó meu amigo, ó velador noturno,
Tu não me abandonaste nas vigílias,
Quer eu perdesse a noite sobre os livros,
Quer, sentado no leito, pensativo
Relesse as minhas cartas de namoro!
Quero-te muito bem, ó meu comparsa
Nas doudas cenas de meu drama obscuro!
E n’um dia de spleen, vindo a pachorra,
Hei de evocar-te n’um poema heróico
Na rima de Camões e de Ariosto
Como padrão às lâmpadas futuras! 

XII  
Aqui sobre esta mesa junto ao leito
Em caixa negra dous retratos guardo.
Não os profanem indiscretas vistas.
Eu beijo-os cada noite: neste exílio
Venero-os juntos e os prefiro unidos
— Meu pai e minha mãe.— Se acaso um dia
Na minha solidão me acharem morto,
Não os abra ninguém. Sobre meu peito
Lancem-os em meu túmulo.
Mais doce Será certo o dormir da noite negra
Tendo no peito essas imagens puras.  

XIII  
Havia uma outra imagem que eu sonhava
No meu peito na vida e no sepulcro.
Mas ela não o quis... rompeu a tela
Onde eu pintara meus doirados sonhos. 
Se posso no viver sonhar com ela,
Essa trança beijar de seus cabelos
E essas violetas inodoras, murchas,
Nos lábios frios comprimir chorando,
Não poderei na sepultura, ao menos,
Sua imagem divina ter no peito.  

XIV  
Parece que chorei... Sinto na face
Uma perdida lágrima rolando...
Satã leve a tristeza! Olá, meu pajem,
Derrama no meu copo as gotas últimas
Dessa garrafa negra...  
                       Eia! bebamos!
És o sangue do gênio, o puro néctar
Que as almas de poeta diviniza,
O condão que abre o mundo das magias!
Vem, fogoso Cognac! É só contigo
Que sinto-me viver. Inda palpito,
Quando os eflúvios dessas gotas áureas
Filtram no sangue meu correndo a vida,
Vibram-me os nervos e as artérias queimam,
Os meus olhos ardentes se escurecem
E no cérebro passam delirosos
Assomos de poesia...Dentre a sombra
Vejo n’um leito d'oiro a imagem dela
Palpitante,que dorme e que suspira,
Que seus braços me estende...  
Eu me esquecia: Faz-se noite; traz fogo e dous charutos
E na mesa do estudo acende a lâmpada...




Álvares de Azevedo
IDÉIAS ÍNTIMAS - Fragmentos

CANTIGA PRA NÃO MORRER



Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.






Ferreira Gullar

AUTO DO PREÂMBULO





Todo o vaporoso da visão abstrata não interessa tanto
como a realidade formosa da bela mulher a quem amamos.

Álvares de Azevedo






A Dama, com um véu de água:
 
    – O livro dos Eternos foi reaberto.

O Palhaço:
    – Há um mundo subterrâneo abaixo dos abismos primordiais.

O Enxadrista de olhos vermelhos:
 
    – Foi lá que Polydegmon, o grande hospedeiro, construiu seu labirinto.

A Mulher-que-passa:

    – Uma nova vida! É disso que se trata.

O Enxadrista de olhos vermelhos:

    – Nada é igual quando algo muda

O Bêbado:
    – Nada é igual, nada é igual...

El Nuevo:

    – Vê aquela bela: as luzes cristalizam a curva morena do corpo.
É como um bailado que brilha na chuva. O mundo fica desfocado ao redor.

O Enxadrista de olhos vermelhos:

    – Coloca a razão ao centro desse céu fictício.

A Dama com um véu de água:

    – Eis o movimento fixado na memória.

O Palhaço:

    – Novos julgamentos foram engendrados.

A Dama com um véu de água:

    – Ergue-se do mar o solo onde a poesia reconstrói Sevilha.

O Homem-que-passa:

    – Uma nova vida. É disso que se trata.
El Nuevo:
    – Povoa a própria vida de amores possíveis.

A Dama, agora sem véu:

    – Nada é igual quando algo muda.






______________________
Excerto de "Don Juan & o Jardim das Maravilhas"

Marcello Chalvinski -  EDIÇÃO DO AUTOR - 2013
Arte: Tom Colbie

OS HOMENS OCOS




Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam — se o fazem — não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

II

Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

— Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular





T.S. Eliot

Tradução de Ivan Junqueira

O CEMITÉRIO MARINHO





Esse teto tranquilo, onde andam pombas,
Palpita entre pinheiros, entre túmulos.
O meio-dia justo nele incende
O mar, o mar recomeçando sempre.
Oh, recompensa, após um pensamento,
Um longo olhar sobre a calma dos deuses!

Que lavor puro de brilhos consome
Tanto diamante de indistinta espuma
E quanta paz parece conceber-se!
Quando repousa sobre o abismo um sol,
Límpidas obras de uma eterna causa
Fulge o Tempo e o Sonho é sabedoria.

Tesouro estável, templo de Minerva,
Massa de calma e nítida reserva,
Água franzida, olho que em ti escondes
Tanto de sono sob um véu de chama,
— Ó meu silêncio!… Um edifício na alma,
Cume dourado de mil, telhas, teto!

Templo do Templo, que um suspiro exprime,
Subo a este ponto puro e me acostumo,
Todo envolto por meu olhar marinho.
E como aos deuses dádiva suprema,
O resplendor solar sereno esparze
Na altitude um desprezo soberano.

Como em prazer o fruto se desfaz,
Como em delícia muda sua ausência
Na boca onde perece sua forma,
Aqui aspiro meu futuro fumo,
Quando o céu canta à alma consumida
A mudança das margens em rumor.






Paul Valéry

Tradução de Darcy Damasceno

À ESPERA DOS BÁRBAROS






O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?





Poema:Konstantinos Kaváfis

Tradução de José Paulo Paes
Arte: Tom Colbie

A TERRA DESOLADA






Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão; nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aleias de Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Big gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.
Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam,
nem te consola o canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto

De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.





T. S. Eliot

UM POEMA DE AMOR



todas as mulheres
todos os seus beijos as
diferentes formas com que amam e
falam e precisam.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e calçados e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres que são muito
quentes, eles me lembram de
torradas com manteiga com a manteiga
derretida
dentro

há uma aparência nos
olhos: eles foram
eles têm sido tomadas
enganadas. Eu nem mesmo sei o que
fazer por
elas.

eu sou
bom na cozinha um bom
ouvinte
mas eu nunca aprendi a
dançar - eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas eu gostei das suas diferentes
camas
de fumar cigarros
olhando para o
teto. Eu não era nem cruel nem
desonesto. apenas
um aprendiz.

Eu sei que todos elas têm pés
e os pés descalços vão pelo chão enquanto
Eu observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim
algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam baixinho de
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
loucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
um ao outro
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

aquelas orelhas aqueles
braços
cotovelos aqueles olhos
olhando, o carinho e
a carência me sustentaram,
me
sustentaram.





Charles Bukowski - [Tradução: M. Chalvinski]

EL NUEVO




El Nuevo
tem hábitos de lua
& ginga de dragão
seu nome se dissemina em segredo
pelos sinistros abismos de Urizen
onde habita aquele eremita
da imensidão

El Nuevo
aprendeu nos penhascos
onde nasceu a verdadeira razão
que ensina pelo ar
como quem ilude
a própria paixão

El Nuevo
foi feito no mar
& devora seres bizarros
adicionando pequenos rasgos
de beatitude marinha
a cada refeição

El Nuevo
se distende
em solidez amável
& surpreende-se
frente ao trânsito imutável
dos amores que se sucedem
como animais de estimação

El Nuevo
planta suaves flores de chocolate
em grossas caixas de papelão
ele as rega com romances difíceis
& aduba com ilusão

para aparar bem os carinhos espinhosos
a poda é feita
com uma tesoura de sofrimento cru
& um alicate sem qualquer emoção

El Nuevo
é da gota serena
& vive com uma gata preta da gema
gata que tem o domínio de artes minúsculas
& é por graça linda & toda cheia de astúcias

mas

la Gata Nigra de El Nuevo
não tem coração!
é como a amante ilustre
de um rei que te odeia
sem qualquer razão

la Gata Nigra
é o olho do diabo
é a língua da guerra
é o monstro branco
o emir underground
a própria corrupção

El Nuevo
porém

é pau de dar em doido
& nunca perde a ocasião
delicia-se em viagens caóticas
fuma ervas exóticas
bebe de fazer medo ao cão

El Nuevo
agora é o dono da situação








Marcello Chalvinski


[Jardim das Maravilhas - Brancaleone Editores - 2013]

O FILHO DO SÉCULO



Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.




Murilo Mendes

NA COXA DO GIGANTE BRANCO





Por entre as gargantas onde cruzam muitos rios, gritam os maçaricos,
Sob a lua fecundada no topo da alta colina de gesso,
E ali, nessa noite, passeio na coxa do Gigante Branco
Onde mulheres estéreis como rochas jazem quietas e ansiosas
Por trabalhar e amar, embora há muito estejam prostradas.
Por entre as gargantas onde cruzam muitos rios, as mulheres rezam,
Rogando na rasa baía para que se derramem as sementes,
Embora a chuva haja apagado os nomes em suas pedras cobertas de ervas,
E sozinhas no eterno e recurvo transcurso da noite
Elas suspiram com suas línguas de aves aquáticas pelos inconcebidos
Filhos imemoriais da esmurrada colina feita em pedaços.
Elas, que certa vez no inverno de penas de ganso amaram todo o gelo
abandonado
Nas veredas dos cortesãos, ou se enroscaram sob o touro abrasador do sol
Nas carroças com cargas tão altas que os feixes de feno
Se grudavam às nuvens pendentes, ou que alegres se deitavam com alguém
Tão jovem quanto elas à luz recém-ordenhada da lua
Sob todas as formas iluminadas da fé, e suas anáguas enluaradas se erguiam
Com a ventania, ou se assustavam com os jovens e ásperos ginetes,
Agora me oprimem contra os seus grãos na gigantesca clareira do bosque,
Elas, que certa vez, para além dos verdes campos, floresciam qual sebes
de alegrias.
Há tempos, seu pó foi carne que o astuto porqueiro farejava,
Incendiada no mau cheiro da pocilga nupcial pela impetuosa
Luz de suas coxas, distendidas sob o céu da esterqueira,
Ou por seu pomareiro, nas entranhas do arbusto solar,
Suas madeixas gordurosas eram ásperas como línguas de vaca e cortadas
como sarças,
Sob seu verão implacável, como farpas de ouro enfiadas até os ossos,
Ou ondulavam macias como seda no arvoredo lunar
E atiravam pedrinhas no alvo lago que ecoava qual harpa de granizo.
Elas, que outrora foram uma floração de noivas às margens do caminho
da casa dos pilriteiros
E ouviam o campo lascivo e cortejado fluir para as próximas geadas
E o guincho dos empeliçados fradinhos em fuga, ao extinguir-se
O dia, nas naves de cardos, até que a coruja branca cruzasse
Por seu peito, e escutavam o rumor das corças saltitantes, os cervos a subir
Velozes pelo bosque, ante o apelo do amor, lá, onde fumega uma tocha
de raposas.
A todos os pássaros e bestas da noite encadeada elas ouviam repicar em alvoroço
E a toupeira de focinho obtuso a peregrinar sob as cúpulas.
Ou, roliças e untuosas guardadoras de gansos, saltitavam sobre a palha
de uma carroça,
Com os seios túmidos de mel, sob o seu ganso soberano
Que as açoitava com as asas no celeiro sibilante, perdido no passado
E já extinta aquela negra cevada sobre a qual seus tamancos dançavam
na primavera,
E em seus cabelos os grampos luziam como pirilampos, e as medas giravam
(Mas nada nascia, nenhum bebê sugava as veias das colméias,
E desnudas e estéreis na terra da Mãe Ganso
Eram elas, com os humildes aldeãos, unia pedreira de esposas)
Agora o maçarico implora que eu me incline para beijar os lábios de seu pó.
De lá para cá, o rebuliço de suas chaleiras e relógios oscila
Onde agora o feno cavalga ou as cozinhas de samambaias criam mofo
Como o arco das ceifeiras que aparavam as sebes a relâmpagos
E cortavam os ramos dos pássaros avermelhados pela seiva trovadora.
Vindas das casas em que se ajoelham as colheitas, elas me apertam,
Elas, que ouviram dobrar os ruidosos sinos nos domingos dos mortos
E a chuva que escorria de suas línguas no cemitério enevoado,
Ensinam-me que o amor é sempre verde depois que o outono semeia folhas
Sobre o túmulo, depois que o Amado, sobre a cruz enterrada na relva,
Seja varrido pelo sol e as Filhas já não se lamentem
Salvo pelos que há muito as desejam nas ruas em que a raposa deu à luz
Ou ao sentir-se famintas no bosque esfacelado: a tais mortos
Sadios e imortais é que amam as mulheres da colina
Em seu eterno apogeu em meio às árvores dos cortesãos
E as filhas da treva flamejam, todavia, como as fogueiras de Fawkes.1







Dylan Thomas

Tradução: Ivan Junqueira






1 Alusão ao Dia de Guy Fawkes – 5 de novembro –, quando se comemora na Inglaterra, com
fogueiras e rojões, a malograda insurreição dita Conspiração da Pólvora (1605), cujo objetivo era
fazer explodir o Parlamento. Como se recorda, Fawkes (1570-1606), depois de convertido ao
catolicismo, foi arrastado aos subterrâneos do Parlamento de Londres no dia de abertura das sessões

ordinárias daquele ano, quando se preparava para explodir ali um barril de pólvora. (N. do T.)

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Tira-gosto

Um Poema ao Acaso

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