NA ANARQUIA DO SILÊNCIO TODO POEMA É MILITANTE




O relógio,
que depois das quatro me enlouquece,
diz que te aproximas,
com o júbilo de uma marcha na primavera.
Só tua boca é tão vermelha
quanto as bandeiras que lutam contra o vento.
Só tua pele tem a luz
para os anjos cegos de minhas mãos
Ah, camarada minha!
Quando saltarem um a um
os botões da tua blusa,
começarei a fazer-te confidências:
Quero militar na liga das tuas meias
e mais que discursos minha práxis será incêndio
consumindo a raiz dos costumes.
Não há capitulação.
Só ocupar cada milímetro da tua epiderme,
chocar os molotov de nossas bocas,
brindar em honra do velho Hegel
e, ao acariciar-te os peitos, confirmar
a irrevogável lei dos contrários






Marco Antonio Campos (Ciudad de México 1949)

Trad: M. Chalvinski





En la anarquía del silencio 
todo poema es militante


El reloj
que después de las cuatro me enloquece
dice que te acercas
con la alegría de una marcha en primavera:
Sólo tu boca es tan roja
como las banderas que luchan contra el viento.
Sólo tu piel tiene la luz
para los ángeles ciegos de mis manos.
Oh camarada mía,
cuando haga saltar uno a uno
los botones de tu blusa
comenzaré por hacerte confidencias:
Quiero militar en la Liga de tus Medias
y más que discursos mi praxis será incendio
que consuma la raíz de la costumbre.
No hay capitulación:
sólo ocupar tu epidermis al milímetro,
chocar las molotov de nuestras bocas,
brindar en honor del viejo Hegel
y al acariciarte los pechos confirmar
la irrevocable ley de los contrarios.


Marco Antonio Campos
(Ciudad de México 1949)

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