CASO DO OCASO








Você não me quer
porque sou louco,
mas sabe que eu
sou louco por ti.

Você não me quer
porque ando errado,
mas sabe que errando,
eu erro por ti.

Talvez quisesse
que eu ficasse calado,
entretanto,
eu não estou nem aí.

Se você não me quer
só porque eu piro
e lá, bem no fundo,
me ama e mente,
eu dou meus pulos,
corro, giro, juro
que deixo de ser
um demente.

Mas,
se você.
decididamente
não me quer,
então só me beija
& me chama
de Baudelaire



Poema: Marcello Chalvinski
Arte: Tom Colbie

SE MINHAS MÃOS PUDESSEM CONSUMIR A LUA




Eu pronuncio teu nome
em noites escuras,
quando os astros vêm
para beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
horas mortas antigas.


Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais triste que a chuva dócil.

Eu vou te amar como antes
em algum momento?
Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se desfaz,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?

Ah, se meus dedos pudessem
consumir a lua!



Poema: F.G. Lorca
Tradução: M. Chalvinski
Arte: T. Colbie

COMO SER UM GRANDE ESCRITOR




Você tem que comer um grande número de mulheres.
Belas mulheres
E escrever uns poucos e decentes poemas de amor.

E não se preocupe com a idade
e/ou com talentos recém-chegados.

Apenas beba mais cerveja.
Mais e mais cerveja.

E vá às corridas pelo menos uma vez por
semana.

E vença,
se possível.

Aprender a ganhar é difícil -
qualquer idiota pode ser um bom perdedor.

E não se esqueça do Brahms
e do Bach e também da sua
cerveja.

Não exagere nos exercícios.

Durma até o meio-dia.

Evite o pagamento de cartões de crédito
ou pagar qualquer conta
no prazo.

Lembre-se que nenhuma bunda no mundo
vale mais do que 50 pratas.
(em 1977).

E se você tem a capacidade de amar,
ame primeiro a si mesmo.
Mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma
derrota total,
mesmo que a razão para essa derrota
pareça certa ou errada -

Um gosto precoce pela morte não é necessariamente
uma coisa má.

Fique longe de igrejas e bares e museus,
e como a aranha seja
paciente -
o tempo é a cruz de todos,
mais
exílio
derrota
traição
todo essa escória.

Fique com a cerveja.

A cerveja é sangue contínuo.

Uma amante contínua.

Arranje uma grande máquina de escrever
e assim como os passos que sobem e descem
do lado de fora de sua janela
bata na máquina,
acerte com força,
faça disso uma luta pesada.

Faça como o touro no momento do primeiro ataque

e lembre dos velhos cães
que brigavam tão bem:
Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.

Se você pensa que eles não ficaram loucos
em quartos minúsculos
assim como este em que você está agora

sem mulheres
sem comida
sem esperança

então você não está pronto.

Beba mais cerveja.
Há tempo.
E se não houver
está tudo certo
também.




Poema: Charles Bukowski
Tradução: Marcello Chalvinski

Arte: Tom Colbie

PLENILÚNIO




indiferente ao sabbath
o morto a meu lado
engendrava uma estranha
moeda
sob a língua

pus
de lado seu sorriso
& ele me presenteou
com balas

houve silêncio.
depois risos.

eram balas de festim




Poema: Marcello Chalvinski
Arte: Tom Colbie

ESCADAS PARA O INFINITO








São contra mim
as línguas que maldizem
& os olhares que reprovam

Mas há desde muito tempo
este céu que me protege
estas escadas para o infinito
os moinhos de vento
os navios que voam
o jardim secreto
as lanternas mágicas
os espelhos fantásticos
o tesouro escondido
o tapete voador
a fonte encantada
& as nuvens doces
onde o meu amor
guarda o seu beijo








POEMA: MARCELLO CHALVINSKI

ARTE: TOM COLBIE

DON JUAN & O JARDIM DAS MARAVILHAS


Translate

Tira-gosto

Um Poema ao Acaso

Porre de poesia

abismo Acaso aço Advertência aeroporto ali Alma alphonsus de guimaraens. poesia Amor Animal Anjo anjos anoitecer Apolo Apóstolo Aqui arcanjos Asas Assassinos aurélio ausência azul babélico baile Balas bananas Bar Barulho baudelaire beatnik Bela Beleza Bélica Bem Bukowski cabeça Caldeus cama Campo canções caos Carne ccinamomo cérebro cereja céu Chalvinski chamas chifre chuva cidade Cisne cocaína coisa Conto controle Coração Corte cristão culpa Desejo Destino devaneio Diamante diligência Dilúvio Dor drogas DYLAN THOMAS em qualquer lugar... Energia enforcado escuridão esmeralda espaço espírito estalagem estrelas Estupro étude explicação FANTASMAS Feminil feras ferida fernando pessoa Fim flor flores Floresta fogo futuro Gelo gênio geração ginsberg Gregório de Matos guerra hai cai Haroldo de Campos Herói horror humo ida Iluminuras Infância inflexão ingles Introspecção jack daniel's JARDIM jazz JOGO Jorge Luis Borges lábios lágrima lama Lamento Canção lâmina lápides Leda and the swan Leminski Liberdade Linda litanias livro Lixo Longe LOUCO loucura Lua cheia LUZ Mal manifesto Manoel de Barros Manuel de Barros MÃOS Mar mariposa mel menina mesma coisa Misandria Morrer Morte mulher Murilo Mendes música nada Não Noite Nudez Oceano Octavio Paz olhar olhos Ossos ótica Paixão peixeira Pensamento Piano piedade plano planta poder POEMA Poesia poesia brasileira Poeta Ponte prazer Primavera príncipe Prosa punhal Quimera Rainha Rapariga Rilke Rimbaud riso Rua Sabbath Safo Saias Sangue Saudade seios semideuses cheios de graça sentido Sentimento sepultura ser Sexo Silêncio sizígia sol Solidão sonho SORTE sucesso suicídio Suíno tarot Tempestade temporal topázios Torpeza Torre tragédias de malandros Tristeza Trovão Uísque Ur Vasko Popa vermelho Verso Vício Vinicius de Moraes Viver Walt Whitman Zeppelin Zeus

Frequentadores

Beberam aqui